O FUTEBOL AMERICANO NAS MÃOS DAS MENINAS
Um esporte que vem conquistando espaço nos últimos anos
O Futebol Americano é um esporte de contato físico. Aqui no Brasil a população não é acostumada acompanhar essa prática. TALVEZ, a falta de contato aconteça pela intensidade física que o esporte traz. Algumas pessoas podem ser contra a violência que ele abarca e há quem acredite que isso decorra da falta de cultura e tradição do país.
Isso não quer dizer que o Futebol Americano deve ser desvalorizado, pelo contrário, deve ser incentivado para que cresça na região e conquiste seu espaço.
O primeiro contato com o Futebol Americano, em grande maioria, acontece pela televisão, geralmente, em programas esportivos. Comparando esse esporte com o “Futebol de Pelé” – que passa nas noites de quartas e tardes de domingos – é raro ser veiculado partidas completas em TVs abertas deste esporte. Essa é a realidade de muita gente. Os brasileiros recebem poucos conteúdos sendo um ponto que contribui para a desinformação das pessoas. Imagine o conhecimento que temos da prática realizada por mulheres.
No estado do Paraná, apenas três equipes femininas disputam o Campeonato Paranaense de 2019 organizado pela Federação Paranaense de Futebol Americano (FPFA). Foram elas o Curitiba Lions, o Cold Killers FA e o Curitiba Silverhawks – atual campeão da Liga BFA, Campeonato Brasileiro de Futebol Americano. Neste ano, outras duas equipes farão parte da disputa: a Phoenix e a Portuguesa de São Paulo. Já o Curitiba Lions saiu da competição. O estado é a único, em todo o país, que organiza um torneio regional.
A HISTÓRIA DO ESPORTE
Não há registros de onde o Futebol Americano Feminino começou a dar os seus primeiros paços. Tudo indica que foi nos Estados Unidos. No início do século XX, na Filadélfia, um time masculino, o Frankford Yellow Jackets, contratou equipes femininas para realizar apresentações durante o intervalo das partidas do masculino. Somente 40 anos depois, as primeiras ligas surgiram.
No Brasil, em 2018, foram abertas inscrições para o primeiro Campeonato Brasileiro de futebol americano organizado pela Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA). Outras quatro edições já haviam sido disputadas anteriormente organizadas pelas próprias equipes.
Curitiba Silverhawks – ATUAL CAMPEÃO BRASILEIRO
A equipe que vem se destacando no estado do Paraná e no Brasil é o Curitiba Silverhawks. Nos últimos dois anos foi bi-campeão estadual (2018-2019) e no ano passado conquistou o tão sonhado Campeonato Brasileiro (2019)
O time feminino existe desde 2015 e iniciou como “Curitiba Guardian Angels” e, com a fusão com a equipe Brown Spiders FA, passou a se chamar Brown Spiders Feminino. No início de 2017 a equipe se tornou independente e adotou o nome Curitiba Silverhawks.
Majoare: dos campos a gravidez
Majoare Vieira, ou simplesmente Majo, é uma jogadora de Futebol Americano que atua na posição “Defensive Line – DL”. Nasceu em 19 de maio de 1992, em Balsa Nova-PR, mas morou e cresceu na cidade de Campo Largo-PR. Atualmente, defende as cores da equipe feminina do Curitiba Silverhawks. Em 2018, foi eleita pela comissão técnica do time a melhor DL. Atuando pela equipe da capital paranaense, venceu o Campeonato Paranaense de 2018 e 2019, participou do Campeonato Brasileiro de Futebol Americano (Liga BFA) nos anos de 2017 e 2018 e, devido à gravidez, não entrou em campo pela edição de 2019 da competição.
INÍCIO DE CARREIRA
Cresceu em uma casa no centro da cidade de Campo Largo e, com o apoio familiar, teve seu primeiro contato com o futebol “de Pelé” – soccer – aos 12 anos de idade. Um ano depois embarcou no Karatê. Este esporte lhe mostrou a adrenalina de competir. “Eu descobri que adorava isso. Adorava os torneios, as viagens. Esse esporte me deu muita base para praticar outros esportes, pois me deu agilidade, força e principalmente consciência moral”, comentou.
Já adulta, praticou Jiu Jitsu e Muay Tay – áreas que envolvem contato, assim como Karatê. Querendo se arriscar em um esporte coletivo, entrou para o Futebol Americano em 2016. Na época, o time era o segmento feminino do Brown Spiders, atual Curitiba Silverhawks. Através de amigos conheceu um atleta da equipe masculina com quem entrou em contato para entrar no time. Logo depois, foi ao primeiro treino e está lá desde então.
PRIMEIRA PARTIDA
Além de ser o seu primeiro jogo como atleta do esporte, Majoare fez parte da primeira partida da história da equipe feminina Silverhawks no dia 22 de julho de 2017. “A maioria de nós não sabia exatamente o que estávamos fazendo. Crescemos muito depois disso”, disse.
Ela também recorda sobre um fato que marcou a sua primeira partida. “A maior recordação que tenho é uma atleta do time adversário correndo e tropeçando na minha perna. Após o jogo a dor foi toa intensa que achei que tinha machucado seriamente a minha perna. O raio-X mostrou que não tinha fratura, mas tenho um “calo ósseo” no local até hoje”, relembrou.
Embora tenha entrado em um esporte considerado masculino, Majoare relata que a adrenalina foi maior do que o medo. “Confesso também que tive muito medo no nosso segundo jogo, contra as meninas do Sinop Coiotes - MT, além de ser uma viagem muito longa, no primeiro jogo do Sinop uma atleta teve uma fratura que evoluiu para embolia pulmonar, acredito que deixou várias atletas com certo medo, foi um caso isolado e desde então não se repetiu”, afirmou.
RELACIONAMENTO
Majoare conheceu Darcy, seu marido, em 2017. Após um jogo em que ambos foram assistir, começaram a conversar e mantiveram contato. A parceria entre os dois se nota dentro e fora de campo. Inicialmente, treinavam juntos. Como o rendimento técnico dela era considerado bom, ele foi convidado a participar da comissão técnica do time para treinar as meninas da sua posição da equipe do Silverhawks no final de 2018. No ano, ela ganhou prêmio de destaque de melhor posição.
GRAVIDEZ
Em 2019, após torcer o tornozelo, foi orientada a tomar remédios para voltar ao jogo. Sentiu dores durante a partida e saiu em menos de um minuto dentro de campo. Quando foi rever a lesão, descobriu a gravidez.
“Era uma coisa que eu queria muito, mas ao mesmo tempo fiquei com muito medo, porque já tive dois abortos”, disse. Para ela, ficar longe do time doeu muito. “Ver elas treinando, indo a campeonatos foi muito duro, mas era por um bom motivo. Estar lá, mas não dentro de campo era muito triste, porque jogar é o que eu mais gosto de fazer”, relatou. Daqui para frente disse que a família continua, assim como os treinos e jogos. E que no futuro pretende levar a filha aos jogos para seguir os mesmos paços dos pais.
"O medo sempre vai existir. Não posso dizer que não tenho medo. O medo você aprende a lidar com ele. Não pode deixar ele dominar. A adrenalina é mais forte. Quando você tem prazer de fazer uma coisa que você gosta, esse sentimento é maior que esse medo. Eu sei que posso me machucar, mas não vou deixar de fazer uma coisa que gosto por algo que pode não acontecer ".
FOTOS: EMANUELLE MATTOS


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